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domingo, setembro 05, 2010

Paz

Domingo de feriado. Tarde. Estou aqui deitada na cama. Ouvindo Muse, uma de minhas bandas favoritas. Lendo escritos alheios na internet. Tendo pensamentos. No que passou, o que fiz. Escuto a música e vou sentindo emoções, lembranças. Uma grande mistura mesmo. E me sinto bem. Penso também no que vou fazer: no que devo fazer e no que quero fazer, tentando nesse meio determinar apenas o que realmente precisa ser determinado. O que puder ser deixado ao acaso, que continue sendo. Essa mania de controle das coisas tem que passar. Passa, eu sei. E enquanto estou aqui, em meio a tudo isso, deixo um texto que gosto demais da minha querida Cecília Meireles, aquela que me entende tão bem...


Motivo


Eu canto porque o instante existe
e a minha vida está completa.
Não sou alegre nem sou triste:
sou poeta.


Irmão das coisas fugidias,
não sinto gozo nem tormento.
Atravesso noites e dias
no vento.


Se desmorono ou se edifico,
se permaneço ou me desfaço,
— não sei, não sei. Não sei se fico
ou passo.


Sei que canto. E a canção é tudo.
Tem sangue eterno a asa ritmada.
E um dia sei que estarei mudo:
— mais nada.

terça-feira, outubro 20, 2009

Quero

Quero que todos os dias do ano
todos os dias da vida
de meia em meia hora
de 5 em 5 minutos
me digas: Eu te amo.

Ouvindo-te dizer: Eu te amo,
creio, no momento, que sou amado.
No momento anterior
e no seguinte,
como sabê-lo?

Quero que me repitas até a exaustão
que me amas que me amas que me amas.
Do contrário evapora-se a amação
pois ao não dizer: Eu te amo,
desmentes
apagas
teu amor por mim.

Exijo de ti o perene comunicado.
Não exijo senão isto,
isto sempre, isto cada vez mais.
Quero ser amado por e em tua palavra
nem sei de outra maneira a não ser esta
de reconhecer o dom amoroso,
a perfeita maneira de saber-se amado:
amor na raiz da palavra
e na sua emissão,
amor
saltando da língua nacional,
amor
feito som
vibração espacial.

No momento em que não me dizes:
Eu te amo,
inexoravelmente sei
que deixaste de amar-me,
que nunca me amastes antes.


Se não me disseres urgente repetido
Eu te amoamoamoamoamo,
verdade fulminante que acabas de desentranhar,
eu me precipito no caos,
essa coleção de objetos de não-amor.























Faz tempo que nao venho por aqui...
ultimamente tem tanta coisa "importante" aparecendo pra fazer
tanta que chega a me dar dor de cabeca
infelizmente precisamos nos tornar pessoas "serias"
mas li este poema do Drumond, que eh um dos meus poetas favoritos,
e achei que valeria a pena passar aqui para dividi-lo com voces/ comigo mesma.



domingo, abril 12, 2009

Ou isto ou aquilo


aqui vai a justificativa do tema que escolhi

Ou se tem chuva ou não se tem sol,
ou se tem sol ou não se tem chuva!
Ou se calça a luva e não se põe o anel,
ou se põe o anel e não se calça a luva!
Quem sobe nos ares não fica no chão,
Quem fica no chão não sobe nos ares.
É uma grande pena que não se possa
estar ao mesmo tempo em dois lugares!
Ou guardo dinheiro e não compro doce,
ou compro doce e não guardo dinheiro.
Ou isto ou aquilo: ou isto ou aquilo...
e vivo escolhendo o dia inteiro!
Não sei se brinco, não sei se estudo,
se saio correndo ou fico tranqüilo.
Mas não consegui entender ainda
qual é melhor: se é isto ou aquilo.


Cecília Meireles

porque é assim que me sinto na maior parte do tempo, principalmente nos últimos dias
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